Foi logo cedo, aos cinco anos. Rápido, marcante e com a inocência de uma criança. Lembro de alguns detalhes desse dia. Estava deitado em um colchão na sala de casa, assistindo algum programa infantil. Era um dia de verão e a brisa do fim da tarde batia e refrescava a todos, mas alguma coisa me incomodava e me chamava a atenção.
Hora do intervalo na televisão. Comerciais de brinquedos e guloseimas atraiam o menino do colchão; atrizes de novela despertavam a menina que em mim existia - e que ninguém via. Alguma coisa havia nelas que eu sentia a necessidade de ser igual. Não eram as roupas, vozes finas ou maquiagem. Eram seus cabelos e os penteados. Era o penteado rabo de cavalo.
Me ajeitei discretamente no colchão e com uma das mãos segurei meus cabelos lisos de "tigelinha". Simulei um rabo de cavalo e com outra mão o alisava. Sentia prazer com aquilo e logo tomei uma decisão. Um sussurro de uma voz que (não) era o do menino do colchão foi ao ar: "agora quero ser menina."
O menino foi crescendo e aprendendo que não controlava as ações da natureza e nem da sua própria natureza. Seu cabelo crescia com a ação do tempo e era cortado periodicamente sob a razão da sociedade e seus costumes de estereótipos. A cada tesourada no salão, saia um pouco de cena a manifestação daquela menina sem rosto, sem corpo, sem nome. Sem identidade.
OI THAIS ADOREI O SEU BLOG BJOS
ResponderExcluirObrigada, Mila! Continue por aqui que em breve teremos novidades. ;)
ExcluirGostei muito do seu blog Thais Rosa...a proposito adoro rosa.
ResponderExcluirDa uma passadinha la no meu blog que voce vai adorar!!
http://segredosdapretinha.blogspot.com.br/
Desde ja agradeço...beijinhos!!
Obrigada, Fê! Adorei seu blog também. Bjos.
ExcluirTodas nós passamos por isso, querida.
ResponderExcluirCom certeza, Claudia!
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