27 anos. Tomou coragem. Dias antes marcara a sessão de psicologia pra quase duas semanas depois. "Como vai ser?", pensou. "É loucura, não vou conseguir falar nada. Desencana disso". O dia chegou. Levantou mais cedo, calça jeans, blusa e manhã fria. Abre a porta do consultório. "Bom dia, Dra." Sorriso feminino e olhar calmo do outro lado. "Bom dia! Sente-se. O que te trouxe aqui?". Resistiu em responder. Respira fundo, engole a seco a covardia que o aprisiona há tempos. Fala tudo.
A conversa flui confortavelmente. Gagueja um pouco em algumas coisas, mas é convicta no que diz. E muito mais atenciosa quando ouve. Uma hora depois se despedem com um abraço.
"Nos vemos semana que vem, Dra."